O identitarismo é o novo marxismo das Humanas


Imagem: reprodução.

Até os anos 1980, não se podia fazer um projeto, tese, dissertação ou TCC em Humanas no Brasil sem que se assumisse pelo menos alguma questão ou premissa do marxismo. Fosse um problema de Linguística ou de Religião, não importa, a luta de classes precisava comparecer como hipótese explicativa ou você seria cobrado, criticado e acusado de ser alienado, fazer pesquisa administrativa ou fazer ciência burguesa ou reformista (que era um ofensa grave).


A partir dos anos 1990 isso foi passando. E o marxismo deixou de fornecer o jargão, os modelos compulsórios de análise e os autores de referência. Era possível fazer pesquisa séria, consistente e fecunda sem prestar homenagens ao marxismo e até criticando-o.


2021 e percebo a volta dos modelos teórico-metodológicos compulsórios, do jargão unificado e de autores obrigatórios. Só que a luta de classes agora são as lutas identitárias (lutas de gêneros, lutas de raças, lutas de orientações sexuais, de colonização). Cada projeto de tese, dissertação, TCC ou artigo precisa "transformar ou mundo", "denunciando ou desmascarando" o patriarcalismo, a heteronormatividade, o racismo estrutural. Todos precisam descolonizar alguma coisa.


Ou seja, o identitarismo é o novo marxismo das Humanas. Patético!

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