Desembargadora Maria do Carmo Cardoso é chamada de “Tia Carminha” por Flávio e Eguchi


Imagem: redação Pimenta Malagueta

Conhecida como "tia Carminha" pela família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a magistrada federal Maria do Carmo Cardoso é amiga íntima da família Bolsonaro, em especial do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do investigado pela policia federal Everaldo Eguchi (PSL).


A desembargadora “ Tia Carminha” determinou a suspensão do procedimento criminal contra o delegado Everaldo Eguchi, em trâmite na Vara Única da Subseção Judiciária de Marabá, e o retorno dele ao cargo, até o julgamento definitivo do habeas corpus.


Essa proximidade com a família Bolsonaro rendeu a indicação da filha dela, a advogada Lenise Prado, como conselheira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por Jair Bolsonaro, em 2019.


Relação íntima com Eguchi

Quase quatro meses depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação para apurar o suposto vazamento de informações por parte de um delegado da corporação no Pará, o principal alvo da ação obteve na na Justiça a suspensão do inquérito e a recondução ao cargo.


Trata-se de Everaldo Jorge Martins Eguchi, conhecido como Delegado Federal Eguchi, bolsonarista que disputou a prefeitura de Belém no ano passado pelo Patriota e ficou em segundo lugar na eleição municipal.


Durante a operação, os investigadores encontraram uma mala com pacotes de dinheiro que pertenceria ao delegado — com dezenas notas de 50 e 100 reais, além de cédulas de euro e dólar. Mas a a apreensão da grana de origem duvidosa sequer consta na decisão liminar publicada nesta terça-feira pela desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF da 1ª Região.


PF apreende dinheiro em operação que investiga suposto vazamento de informações no PA. — Foto: Reprodução / PF

Na ocasião, a PF informou que Eguchi era investigado por suposta violação de sigilo funcional durante o desencadeamento Operação Migrador, em 2018, que apurava a atuação de organização criminosa dedicada à exploração ilegal de minério de manganês. Seis empresários que teriam tido acesso indevido às informações também foram alvo da operação.


Na decisão desta terça, a magistrada justificou o trancamento do inquérito policial ao afirmar que, da análise dos autos, “é possível identificar, ao menos no atual cenário, questões políticas e pessoais como fatores determinantes para a abertura da investigação que se baseou em denúncia anônima contra o paciente”.


Ela relatou que a defesa de Eguchi apontou que o agente que recebeu a denúncia anônima “é flagrantemente contra os preceitos defendidos por Paciente enquanto político, eis que o mesmo é conservador e bolsonarista, enquanto que o agente que recebeu a denúncia é o que podemos chamar de uma figura da ‘Esquerda’, conforme consta em suas redes sociais e comentários em páginas online de famoso jornal brasileiro e blog”.


A desembargadora afirmou ainda que os indícios apontados nos relatórios de inteligências são frágeis, “uma vez que a conexão online na rede social Facebook como ‘amigo’ em um universo de usuários virtuais não permite confirmar que de fato as pessoas são próximas ou ao menos se conhecem”.


Na conclusão, ela disse não ser possível afirmar que o suposto vazamento objeto da operação tenha partido do delegado e que, uma vez que não há conclusão sobre eventual dolo do paciente, o caso deve ser analisado com maior profundidade no instante do julgamento definitivo. Por isso, concedeu a liminar.


Ou seja, Eguchi contou com a ajuda da "Tia Carminha" para ter uma "ajudinha" e tanto na investigação federal contra ele. É caro leitores, para ricos, tudo, para os ladrões de galinha, nada. Que país é esse?


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