Bolsonaro encara campo minado no centrão para escolha de novo partido


O presidente Jair Bolsonaro e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto

Sem filiação partidária há dois anos, quando deixou o PSL, o presidente Jair Bolsonaro terá que superar uma série de entraves e campos minados para se filiar ao PL.


Até, então, Bolsonaro negociava com os três maiores partidos do centrão e tem até março de 2022 para definir a legenda na qual concorrerá à reeleição. Mas quer uma definição ainda neste ano, ganhando tempo para organizar a sua base de apoiadores. E por isso definiu o PL (Partido Liberal) como melhor caminho partidário.


O PL intensificou as conversas com Bolsonaro nas últimas semanas, com direito a um vídeo em que o chefe do partido, Valdemar da Costa Neto, convidando publicamente o presidente a migrar para a legenda. Por outro lado, a sigla tem indicado que pode abandonar o barco bolsonarista caso não seja a escolhida.


A avaliação do partido é que, com Bolsonaro, o PL terá capacidade de ampliar sua bancada no Congresso Nacional e se tornar um dos maiores partidos do país. Apesar de ser liderado por bolsonaristas em estados como Santa Catarina e Espírito Santo, o partido tem dissidências no Amazonas, no Piauí e em Alagoas, onde líderes do partido fazem oposição a Bolsonaro.


No Piauí, o deputado Fábio Abreu (PL) é aliado de Wellington Dias (PT) e deve manter a parceira com o petista. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro (PL), que disputará a reeleição, tem feito um movimento de afastamento do presidente em uma tentativa de construir um palanque mais amplo em 2022.


São Paulo também é entrave, já que o partido faz parte da base de João Doria e assegurou apoio ao vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) na sucessão ao governo. Já na Bahia, a legenda deixou a base do governador Rui Costa e aproximou-se de ACM Neto.


Mesmo no passado a base Bolsonarista tendo criticando o "Centrão", hoje, já é dado como certo que os parlamentares alinhados ideologicamente com o Presidente também irão se filiar ao PL


Imagem: reprodução Agência Brasil

Antes crítica ao Centrão, boa parte da bancada de deputados bolsonaristas deve seguir o presidente Jair Bolsonaro (até então sem partido) e se filiar ao PL, caso a entrada do titular do Palácio do Planalto no partido seja oficializada. Os parlamentares deixam de lado o passado de ataques ao fisiologismo e citam a fidelidade a Bolsonaro para justificar a adesão a uma das legendas símbolo do “toma lá, dá cá”.


As críticas ao Centrão eram comuns na campanha eleitoral e no início do governo, mas foram cessando conforme Bolsonaro foi se aproximando do grupo. Cerca de metade da bancada do PSL na Câmara, que tem 54 deputados, continuou fiel a Bolsonaro após ele sair do partido, em 2019. Agora, a maioria deles deve seguir o presidente.


A deputada Bia Kicis (DF), do grupo mais próximo ao Planalto, escreveu “Deus nos livre do Centrão” durante a campanha de 2018. Hoje, considera se filiar ao PL — está no aguardo do chefe: "Vou esperar. Estou aguardando confirmar para ver o que faço".


Filipe Barros (PR), outro muito próximo ao presidente, estima que entre 60% e 80% da bancada seguirá para o PL. E tenta explicar a contradição de se aliarem ao Centrão.



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